BRIGA, organiza�om juvenil da esquerda independentista

Loja Virtual
Arquivo Gr�fico
correio-e:
Compartilhar
Actualizada em
14/01/14
novas

Olhada ao movimento DRY

imagem

Maio 2011

O companheiro da Mesa Nacional Carlos Garcia achega um artigo que consideramos de interessante reproduom dados os acontecimentos em curso.

Aps as mobilizaons portuguesas da Gerao Rasca, surge no Estado espanhol o denominado movimento "Democracia Verdadeira J", cuja apariom supom um fenmeno que de BRIGA procuramos analisar com rigor.

Este artigo de opiniom oferece-se a essa necessidade de reflectirmos e criticar sempre para afiar as nossa ferramentas de luita.

Boa leitura!

Umha olhada da juventude da esquerda independentista a Democracia Real Ya.

Nas ltimas semanas tivemos conhecimento atravs da rede da convocatria dumha srie de manifestaons e concentraons em diversas cidades da Galiza organizadas polas sucursais galegas da plataforma de mbito estatal Democracia Real Ya. Ainda tendo conhecimento da organizaom destas mobilizaons negumha entidade da esquerda galega tomou posiom respeito a estas nem se mostrou umha breve anlise do que significa um movimento destas caractersticas. Porm, devemos fazer o esforo por determo-nos um bocadinho a analisar alguns aspectos deste movimento como pequeno contributo abrir umha necessria reflexom desde a ptica da juventude rebelde galega.

Semelha que boa parte das organizaons tradicionais da esquerda nacional, mas tambm da portuguesa e doutras naons encarceradas por Espanha estm a ficar um pouco por trs do desnvolvimento dos acontecimentos e nom sabem como reagir ante a apariom dum movimento que tenta agitar a espontaneidade das massas, que procura apelar aos sentimentos de frustraom e desespero do povo trabalhador mais maltratado e menosprezado polo Capital. Trata-se dum movimento que procura espertar o elemento da "conscincia em si" mediante a palavra de ordem "indignade-vos", com o objectivo de reflectir na condiom de explorad@s.

O movimento de protestos cvicos iniciado em Portugal o 12 de Maro do presente ano com a organizaom de mobilizaons macias da denominada geraom rasca, foi adapatada mimeticamente a outras latitudes nas semanas posteriores em Madrid nas manifestaons organizadas por Juventud sin futuro, umha das principais aderintes de Democracia Real Ya, que conseguiu uns resultados um tanto mais discretos do que as mobilizaons da juventude portuguesa.

Um dos traos caractersticos destes protestos de carcter pacfico a organizaom da sua convocatria mediante as redes sociais, nomeadamente o facebook, que ficam sobrevalorizadas socialmente at tal ponto que se tornam em fetiches que adquirem vida prpria com capacidade para mobilizar por si s, sem que seja necessrio a intervenom do sujeito convocante. O que deveria ser mais um meio de expressom e comunicaom a utilizar pol@s explorad@s desta terra para abrir mais um espao de confronto na batalha de ideias contra o Capital, at os mass media do sistema som os encarregados de fazer adoraom da capacidade mobilizadora do mundo virtual com o objectivo de recordar-nos mais umha vez que a classe obreira como sujeito social com capacidade transformadora extinguiu-se, j nom existe. O caso recente tam cacarejado nos meios de comunicaom burgueses da organizaom das revoltas no norte de frica via facebook vai neste sentido. Som as condions objectivas e subjectivas dumha concreta formaom social as que determinam em ltima instncia o desenvolvimento da luita de classes, e se nom for assim, haveria que realizar um duro esforo de abstracom para imaginar um jovem egpcio lanando e recebendo pedradas dos mercenrios do cleptcrata Hosni Mubarak, jogando-se literalmente a sua existncia, como para depois subir a sua valentia e coragem ao seu mural de facebook.

pois umha cortina de fume a que se estende por diante da plataforma Democracia Real Ya. H que partir da premissa de que deveria ser motivo de satisfacom para a militncia da Galiza rebelde a apariom dumha iniciativa novidosa que aportasse mais um cenrio de questionamento do modo de produom capitalista como sistema fracasado para satisfazer as necessidades mais bsicas da humanidade. Mas o discurso que maneja a plataforma DRY nom permite clarificar as causas polas que o povo trabalhador est a pagar os custos da crise do capitalismo, nom questiona abertamente a essncia do problema real, que a ditadura do Capital sobre o Trabalho, e inverte como na cmara obscura de Marx a relaom causa-efeito, contribuindo para um confusionismo geralizado. Por isso estamos na obriga de criticar este discurso para que nos ajude a desvendar os interesses de classe que h trs esta plataforma.

Nom nos podemos sentir satisfeit@s pola convocatria deste tipo de mobilizaons no nosso pas porque trazem um discurso espanholista, que se bem nom se realiza dumha maneira aberta e descarada, evidente que chega dumha maneira encoberta e pr-fabricada a umha realidade nacional como a galega, que tem umhas dinmicas prprias como se tem demonstrado noutro tipo de movimentos de carcter espontneo que tivrom lugar no nosso pas, constituindo-nos nas pontas de lana dentro do Estado espanhol nos protestos anti-LOU ou a mais recente greve geral de 29 de Setembro passado. Porm, a capacidade mobilizadora de DRY cenificada nas ruas dalgumhas cidades galegas o 15 de Maio, que mesmo sorpreendeu aos/s organizadores/as, nom se pode obviar se temos em conta a participaom nas manifestaons do sindicalismo nom vendido ao poder no passado 1 de Maio.

Botando umha olhada s crnicas das manifestaons e concentraons do passado domingo podemos observar como a composiom social foi muito heterognea fazendo umha cenificaom do discurso populista e apoltico, mas fortemente ideologizado, de DRY dirigido a "pessoas progressistas ou a pessoas mais conservadoras, a crentes ou nom crentes, sem distinom ideolgica, apartidrio e asindical e, sobretodo, pacfico". Nalgumhas mobilizaons como as de Vigo ou Ferrol, no acto final permitiu-se intervir a algumha das pessoas assistentes. A quem se pudo ouvir entre outr@s?, pois a um pequeno empresrio que ficou na runa com a crise capitalista ou a um militar que reclamava mais recrutas como remdio para acabar com o desemprego. Resulta bastante evidente os sectores sociais espoleados por DRY. A pequena burguesia acha-se num momento histrico de desconcerto ante a actual crise capitalista que acelerou a sua queda social para compartir com a classe trabalhadora a situaom de explorad@s polo grande capital que resurge como principal actor na acumulaom de riqueza e valor. Os interesses da pequena burguesia subjazem trs esta iniciativa que tenta manipular ao seu jeito ao povo trabalhador, em especial juventude trabalhadora, a geraom perdida segundo afirmam eles, para acumular foras que lhe permitam recuperar a sua situaom de privilgio social que o sistema capitalista lhe ofereceu durante algum tempo, polo que h caminhar cara a um "modelo social mais justo", mas cara a que modelo social??. O do socialismo sob a hegemonia do proletariado evidentemente que nom.

Com este tipo de iniciativas mobilizadoras comandadas pola pequena burguesia qual adirem multidom de colectivos do mais diverso, desde ps-marxistas at ONGs abertamente pr-capitalistas, tentam pr em dvida a independncia poltica da classe obreira, verdadeiro sujeito de transformaom, reclamando de maneira pacfica melhoras parciais que estm longe de questionar a dominaom e exploraom do Capital. Umha dominaom violenta e implacvel contra a mentalidade d@s oprimid@s e umha exploraom descarnada que extorque o produto realizado polas nossas maos. Por muita vontade de mudana que se tenha, se nom se tem em conta a verdadeira essncia da contradiom entre o Capital e o Trabalho, qualquer iniciativa que clame bondade a um sistema tam despiadado como o que sofremos dia a dia estar condenada, cedo ou tarde, ao fracasso.

Depois do passado domingo aguardando a convocatria de novas iniciativas e ante a ausncia dum programa tctico e estratgico, de suponher que estes vazios constiuim a grande incertidom das pessoas que participrom nas mobilizaons. J houvo manifestaons que mostravam essa indignaom social, da "conscincia em si", mas agora que?, que fazer?. Desde a minha humilde opiniom, nom quero desilusionar a nengum promotor de DRY na Galiza, mas sempre e em ltima instncia nos veremos abocad@s a afrontar o interrogante que j citou Lenine h precisamente 110 anos ante umha situaom muito semelhante, Que fazer?, que nos obrigar a escolher um ou outro caminho, o de ficar na "conscincia em si" ou no de caminhar cara a "conscincia para si", com a luita conseqente contra o Capital. Mais umha vez h que repeti-lo, a luita o nico caminho.