BRIGA, organiza�om juvenil da esquerda independentista

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Actualizada em
14/01/14
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BRIGA fala com Ernai

imagem Julho 2013

Entrevistamos a organizaom juvenil patritica basca Ernai, umha das entidades irms que temos mais perto geograficamente. Aps a sua constituiom este ano, queremos achegar-nos realidade da autoorganizaom nesta nova jeira em que a esquerda independentista basca tem desafiado o Estado espanhol com umha viragem de rumo cara ao mesmo objetivo estratgico de sempre: a independncia, o socialismo, e o feminismo.

Aproveitando a ocasiom desta publicaom, lembramos que Ernai , junto com outras organizaons irms, entidade convidada a participar na IX Jornada de Rebeliom Juvenil. Jornada em cujas edions anteriores, como o ano passado, j tem participado a juventude da esquerda abertzale. E que esta vez decorrer com um formato novidoso incorporando umha macia mobilizaom unitria que promovemos com outras 7 entidades galegas a partir das 20h do 24 de julho em Compostela.

BRIGA entrevista ERNAI, organizaom juvenil da esquerda abertzale quenascia o passado ms de maro com o objetivo estratgico de conseguir um estadoBasco, Socialista e Feminista.

1.- Passado 2 de maro conhecamos o nascimento de ERNAI como o broche de ouro ao processo constituinte Gazte Zukgua. Poderades-nos falar de como se tem vivido este processo e o prprio nascimento da nova organizaom entre a juventude basca?

Foi um acontecimento. O nascimento de Ernai viveu-se com muita fora e ilusom entre a nossa base social e a esquerda abertzale em geral. Gazte Zukgua foi um processo intenso, com muito debate e achegas realmente interessantes. Posicionamo-nos ante a crise sistmica do capitalismo e a situaom poltica atual de Euskal Herria.

O nico ponto dbil que tivo o processo foi que qui nom temos conseguido aproveitar o debate para agitar as ruas. Ao cabo decatamo-nos de que mui difcil desenvolver vez umha dinmica de debate e outra de agitaom. Mas com o nascimento de Ernai superamos todas essas dificuldades e pudemos dizer que se nota que a juventude est na rua. E com muitas ganas de luitar!

2.- Aps o intenso processo de debate e reflexom prvio, durante este curto perodo de vida, em que se tem centrado o vosso trabalho? Percebeu-se a emoom ou ganas por pr-se j maos obra com aons concretas?

Apenas passrom trs meses do Congresso que celebramos em Lizarra (Nafarroa). Neste tempo dedicamo-nos a montar a estrutura da organizaom. O segundo objetivo que temos at o verao analisar qual a situaom atual da juventude em cada vila e bairro para poder identificar quais devem ser as linhas de trabalho e luitas que deve desenvolver Ernai. Embora no processo temos definido qual vai ser a estratgia geral para impulsionar o polo juvenil perante o sistema, agora toca-nos definir as estretgias de cada linha de trabalho que imos desenvolver. E o terceiro objetivo deste perodo foi, naturalmente, dar a conhecer na sociedade em geral e na juventude em concreto, Ernai. O que Ernai e que objetivos tem.

3.-Que anlise fazedes da situaom da juventude basca no atual contexto de crise do sistema capitalista?

Precisaramos de muito tempo e espao para explicar com profundidade a situaom da juventude em Euskal Herria. De facto, neste momento estamos nisso. Mas em linhas gerais poderamos assegurar que as maiores preocupaons da juventude em Eukal Herria som duas: a situaom de precariedade que estamos a viver e, por outra banda, na geraom mais jovem, a LOMCE.

A precariedade laboral que desde sempre tem afetado a juventude, tem-se acentuado polo contexto socio-econmico: a criaom de contratos de prticas de mais duraom e com possibilidade de despedimento sem justificaom, os contratos especiais para jovens, as ajudas a empresas que contratam jovens nessas condions, o trabalho submergido... Para alm das altas taxas de desemprego que parecem chegar para ficar e subindo. Todo isso gera umha situaom de desolaom entre a juventude, para alm da desmobilizaom por medo a perder o emprego. Por isso, as instituions devem pr em andamento medidas urgentes que de verdade solucionem o problema, nom pr mendos que agravam a situaom. Alis, nom podemos esquecer que todas estas medidas que aceitam em nome da crise ficarm quando esta passe. Nom som mais que o desmantelamento do estado de benestar que impugrom no seu momento para evitar revoluons obreiras ante o avano do socialismo.

Mas nom podemos aguardar a que as instituions atuem. A juventude nom somos a sua prioridade. Devemos criar as nossa prprias alternativas, como a criaom de cooperativas, auto-emprego... Existem mltiples exemplos em andamento. S temos que multiplic-los. Todas essas alternativas tenhem um duplo objetivo: dar-nos umha alternativa a ns mesmas e ao nosso contorno, e ir fendendo o sistema. Como me dixrom hoje: abrir fendas no muro do sistema, e gerar vida nelas.

Neste senso, nom podemos esquecer que toda esta precariedade tem como efeito direto as dificuldades para emancipar-se, os problemas de vivenda (que tambm se devem especulaom, as casas vazias...)

No tocante LOMCE, supom umha dupla imposiom. Por umha banda, converte a educaom, que a golpe de recorte se est j transformando num direito para a elite econmica, num privilgio para aqueles que consigam aprender-se de memria um exame por ciclo, um currculo imposto. Que, por outra banda, um currculo com umha clara intenom espanholizadora, que responde diretamente fora que os movimentos de libertaom nacional estejam adquirindo, e que Wert nom se molesta em negar.

4.-Como se organiza ERNAI na prtica e quais serm as vossa linhas de trabalho prioritrias?

No processo constituinte definimos as nossas futuras linhas de trabalho. Por umha banda, trabalharemos os modelos de vida. Ao cabo, um outro sistema polo que luitamos, um sistema no qual o modelo de vida imperante nom ser individualista, baseado no consumo, nos trabalhos precrios e no viver para trabalhar; no qual eficcia e produtividade predominem sobre as necessidades do coletivo, no que s se aceita um nico modelo de famlia nuclear, um modelo patriarcal, baseado na exploraom dos cuidados gratutos e/ou explorados a cargo da mulher.. Queremos outros modelos de vida, baseados em valores feministas como a cooperaom, a participaom, a pluralidade, a atenom s necessidades do grupo... Por isso, trabalharemos sobre as condions de vida para assim ir criando outros modelos de vida, baseados em valores feministas, e ir criando outro sistema. Para isso Ernai impulsionar a criaom de alternativas reais e locais para a juventude, pondo especial atenom na situaom econmica e na maneira em que esta afeta as jovens.

Dentro dos modelos de vida, marcamos como linhas de trabalho prioritrias o feminismo, o internacionalismo e a formaom.

Por outra banda, as jovens nom somos alheias ao momento poltico que vive Euskal Herria, e porquanto somos o seu presente e futuro, corresponde-nos um papel importante na resoluom do seu conflito. Essa outra linha de trabalho. Participaremos nos diferentes espaos de resoluom que se abram, e temos um urgente labor no tema das presas e exiladas. Nunca deveriam ter sido encarceradas por razons polticas, e agora mais do que nunca devem estar nas ruas, trabalhando na resoluom do conflito que tem produzido o seu encadeamento. Som agentes polticos, a quem o Estado lhes quer negar o status e a palavra. Ernai trabalhar incansavelmente at tombar os muros das prisons e obrigar aos Estados a rematar com esta situaom de bloqueio qual se aferram.

Quanto organizaom, a nossa aposta est nas vilas e bairros, nas luitas e nas alternativas locais. Faremos a revoluom do pequeno ao grande, do concreto ao geral. Por isso, organizamo-nos a nvel local, sempre coordenad@s. Em definitvo, somos umha organizaom de Hego Euskal Herria.

5.-Passado 30 de maio era convocada greve geral pola maioria sindical de Euskal Herria. Como valorades o papel atual da juventude basca nestas jornadas de luita?

Fica patente em qualquer foto das mobilizaons, que h umha importante percentagem de jovens. Nota-se nas ruas que a juventude est enfadada, farta de ser explorada e precarizada, de que nos vendam que nom temos futuro, de que nos queiram exilar para trabalhar longe das nossas vilas, de nom poder continuar os nossos estudos porque convertem a golpe de recortes o direito em privilgio... e nota-se nas jornadas de greve.

H meses que em diferentes localidades se estm criando assembleias ou blocos juvenis de diferentes sensibilidades, unidas polo desejo de mudar cousas. Ernai participa tambm nessas iniciativas, porque consideramos que a uniom de jovens indispensvel para fazer frente a um monstro como o sistema, e que altamente enriquecedor trabalhar com diferentes jovens. Aprende-se muito.

Polo tanto, o papel da juventude relevante nos movimentos sociais que se estm criando. De todas formas, h um longo caminho por percorrer. Afinal, a juventude que ainda est sem organizar e que apenas se tem mobilizado umha maioria e a nossa aposta criar umha massa juvenil, um movimento juvenil forte, consciente da necessidade de organizar-se, ativa e disposta a luitar at o final. Queremos desmentir essa ideia que querem que assimilemos de que a luita nom serve para nada, que devemos portar-nos bem, ser emprendedores e aguardar a que a tormenta escampe. Um pequeno gesto pode pr a semente para mudar o mundo, que nom digam que a luita nom serve para nada.

6.-Qu tipo de relaom manteredes com outros agentes polticos ou sociais que se movam em coordenadas similares s vossas?

A cooperaom e o trabalho conjunto parte da nossa filosofia. Consideramos que o trabalho com diferentes coletivos e movimentos imprescindvel. O objetivo e o tipo de relaom variar em base ao agente a que nos refiramos. Com alguns ser mais continuada, com outros pontual...

7.- Pouco depois do vosso nascimento tnhamos notcia da ordem emitida pola Audincia Nacional espanhola exigindo o feche da vossa pgina web. Que leitura fazedes deste facto no atual contexto que se vive em Euskal Herria e como organizades a vossa resposta ante os obstculos repressivos impostos polo Estado espanhol?

O feche do web de Ernai foi o primeiro ataque contra a organizaom, e mostra de que o Estado espanhol continua aplicando velhas receitas, sem nengumha intenom de aceitar que um novo ciclo poltico se tenha aberto em Euskal Herria. Foi um ataque direto contra a nossa liberdade de expressom, ao fechar um meio que um alto-falante da nossa mensagem. Alis, suspeitamos que o Estado tambm queria pr-nos um termmetro, ver como reacionvamos, com que fora contvamos... Nesse sentido, todas as mensagens de apoio que recebemos, tanto procedentes de Euskal Herria como de fora, som de agradecer, bem como as distintas denncias pblicas que se tenhem feito, em especial as da gente relacionada com o mundo jornalstico.

O feche do web veu seguido de duas citaons a declarar na Audincia Nacional, e mais tarde, o mesmo tribunal de exceom imputou mais trs jovens polo ato poltico realizado na Gazte Danbada, no qual se fazia referncia a Thierry, preso poltico enfermo, morto a causa da poltica penitenciria do Estado francs. A procuradoria acusa-os de enaltecimento de terrorismo. Porm, a dia de hoje, a mesma procuradoria nom investigou as responsabilidades dos Estados em dita morte, nem se preocupou polas dzias de presas bascas doentes encarceradas nestes momentos.

De todas formas, nom imos entrar no jogo dos Estados e deixar o nosso labor poltico margem para responder aos constantes ataques repressivos. Isso o que querem. Ns, seguiremos trabalhando no nosso projeto poltico, na criaom dum estado basco, socialista e feminista, e nom nos vam despistar. O nosso trabalho no dia a dia a resposta mais digna que podemos dar.

8.-Desde Galiza seguimos atentamente os acontecimentos do passado ms de abril quando oito jovens acusadas/os de ter pertencido a SEGI recebiam ordem de detenom para cumprir condena, ante a resposta solidaria de centos de jovens mobilizadas/os no Aske Gunea (Zona Livre em galego). Como se vivrom estes momento de tensom?

Desde entom, a mesma situaom tem-se repetido em Ondarru, localidade costeira de Biscaia na que vivia Urtza Alkorta, umha outra militante acusada de colaboraom, e mui provvel que se repita dentro duns dias em Iruerria.

certo que som momentos tensos, de repetidas ltimas despedidas, de incerteza, momentos comovedores, de cansao de tantas horas de espera, de risas e lgrimas furtivas... Som momentos em que as nsias de luitar dum povo e a dignidade dos seus militantes apalpa-se no ambiente, contagia-se. O Aske Gunea de Donosti supujo um salto qualitativo na resposta s detenons polticas. Levvamos anos de detenons e juzos polticos que se acabam traduzindo em condenas injustas, fruto da legislaom de exceom que desenvolveu o Estado espanhol para reprimir e encarcerar todo aquele que se sasse da sua foto. Sempre foi um repto visibilizar essas detenons, que nom lhes sassem gratutas, que nom ficassem impunes. Mas at agora nom tnhamos conseguido mobilizar tanta gente volta das futuras detidas, nem expandir tanto a notcia. Encarceravam militantes, e a notcia apenas chegava para alm das nossas camadas mais prximas, apenas tinham eco nos meios. Tampouco havia meios para implicar a tanta gente em impedir umha detenom.

Mas a aposta pola desobedincia foi todo um acerto, assim como o chamamento a diversos setores da sociedade e tendncias polticas a participar. A resposta foi tam surpreendente como positiva. Centos de pessoas almorrom, estudrom, formrom-se, jogrom, trabalhrom e dormrom no Boulevar de Donosti. O mesmo durante chuvosas e frias jornadas de Ondarru. A conclusom clara: este povo est farto de que detenham a toda aquela que se organize e luite polos seus direitos, e nom vai permitir que se leve nem umha mais.

O Aske Gunea um espao de desobedincia, resistncia e construom! Tem conseguido visibilizar o que os Estados querem esconder. Tem conseguido que gente que nunca se mobilizou faga sua a causa das condenadas e colha a esteira e o saco de durmir para botar-se intemprie.

Alis, supujo a interpelaom direta ao PNV, um claro chamamento a unir-se ao seu povo, o povo basco, e a nom obedecer a interesses econmicos e o Estado, a executar as injustas detenons que ordena. Mas at agora tem deixado claro a quem responde, com quem est, quem o seu povo. Porque h pouco soubemos que ainda quando se deu Polcia Nacional e Guarda Civil a ordem de detenom, pedrom que fora a Ertzaintza a que despejasse a gente congregada em Ondarru. O PNV nom quer resoluom do conflito, quer recuperar a sua hegemonia e maioria absoluta para seguir fazendo leis que lhes permitam especular e continuar enriquecendo-se nossa conta. Som um postor burgus que se vende a quem melhor defenda os seus interesses, e nom se posicionar contra o Estado por muito que insistamos nisso. E os dous Aske Gunea tenhem-no demostrado.

9.-Estades submetidas contnua ameaa de juzos pendentes e ordem de ingresso em prisom para dzias de jovens. Manterm-se iniciativas de desobedincia popular e resistncia pacfica similares a esta?

Sim. Temos que conseguir tirar-lhes todo o potencial. Ainda assim, nom sempre tenhem que ser Aske Gunes, nem em todas as vilas ou processos judiciais servir o mesmo modelo de desobedincia, porque as caratersticas de cada detenom som diferentes. Mas essa a essncia, e continuaremos desenvolvendo-a. At agora logramos unir massa, demorar vrios dias a detenom, impedir que lhes saia grtis... mas o objetivo deve ser rematar com as detenons, que a ilusom do conseguido at agora nom nos despiste.

O vindouro ano estar cheio de juzos: o sumrio das Herriko Tabernas, o macrosumrio contra Segi de 2009, a operaom de Segura, vrios juzos contra jovens grevistas.. Nom nos podemos relaxar, temos um grande caminho por percorrer, e vitrias graduais que lograr. Mas definitivamente, a desobedincia popular o caminho.

10.- BRIGA tivo a ocasiom de participar como delegaom internacional no Gazte Danbada, festival que o passado ms de maro celebrava o nascimento de Ernai, e onde compartilhamos experincias com jovens doutros povos em luita. Que representa o internacionalismo no vosso projeto poltico?

O internacionalismo parte da essncia da luita obreira: de que serve ser livres ns se nom o o resto? O socialismo nom cousa dum povo, mas dos povos. A revoluom deve ser mundial. Obviamente, cada um temos os nossos ritmos e realidades, as nossas estratgias e os nossos objetivos. Mas para derrubar o capitalismo, preciso que todos puxemos, porque o capitalismo imperialista por natureza, e sempre tender a oprimir ao do lado, e por todos os meios para fazer que a nossa revoluom fracasse. Por isso, nom podemos entender a luita obreira sem internacionalismo, igual que nom a entendemos sem feminismo. Nom queremos s cambiar o nosso povo, queremos mudar o sistema, o mundo. A luita nom entende de fronteiras, e ns tampouco.

Por isso imprescindvel o internacionalismo. As alianas tanto colectivas como pessoais. Alm de necessria enriquecedora. Aprender doutros povos, partilhar ideias... por exemplo, o modelo de cooperativas e fbricas ocupadas na Grcia todo um modelo a seguir, ou as comunidades de Venezuela, a ocupaom de terras para o povo do SAT ou o MST, a incansvel dignidade Turca e Palestiniana... algo no que vimos trabalhando meses, e umha linha de trabalho na qual aprofundar. Por isso, os nossos caminhos voltarm a cruzar-se, devem estar em constante encontro.