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Actualizada em
14/01/14
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Testemunho dos jovens detidos e agredidos pola policia espanhola em Compostela

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Novembro de 2006

Durante os dias 21 e 22 de Novembro de BRIGA nos temos esforado por dennciar a intolervel violncia policial da que fumos objectos o conjunto de pessoas concentradas portas da Aula Socia-Cultural de Caixa Galiza e que sofrirom em maior medida os dous jovens detidos. Mas o texto que achegamos, em forma de carta aberta elaborada polos companheiros Iago Barros e Aurlio Lopes, sem dvida o melhor testemunho da impunidade com a que actuam as foras repressivas na Galiza.

Sem mais, recomendando a leitura e a difussom desta carta, achegamos a comunicaom feita pblica polos dous estudantes detidos.

CARTA DOS DOUS JOVENS ESTUDANTES DA USC DETIDOS E TORTURADOS EM 21 E 22 DE NOVEMBRO

Ante a gravidade dos factos acontecidos na capital de Galiza entre os dias 21 e 22 de Novembro, Aurlio Lopes e Iago Barros, detidos e torturado, queremos relatar o seguinte:

1) Efectivos antidistrbios coordenados para defender da ira popular internacionalista a charla do ex-ministro dos Asuntos Estrangeiros do Estado terrorista de Israel detivrom-nos irregularmente a propsito de presuntos actos de desobedincia e injrias autoridade.

Minutos antes de comear a convocatria dumha concentraom de protesto diante do prdio da Aula socio-cultural da Caixa Galicia onde Shalom Ben-Ami haveria dar umha conferncia, dous agentes solicitrom o deslocamento dum carro para a nossa detenom alegando:

a-Ter sido chamados "terroristas" por um de ns. Vrias testemunhas presentes defendrom-nos conhecendo que tal feito nunca tivo lugar.

b-Desobedincia autoridade por requerirmos umha justificaom no momento em que, sem razom algumha, se dirigrom a ns para solicitar-nos identificaom. Esta petiom, realizada dum jeito intimidatrio e prepotente antes inclusive de ter comeado a concentraom, seria a seguir satisfeita, motivo que nom saciou a sede repressora dos membros da Polcia espanhola.

2) Aproximadamente 20 minutos depois, fomos introduzidos numha carrinha policial compelidos por umha violncia desproporcionada em que participrom umha dzia de efectivos. Estes, arrastando-nos e agredindo-nos com patadas, forrom-nos sem mediar palavra a penetrar no veculo. Antes de consegui-lo, Iago Barro foi brutalmente violentado nos seus genitais ao sofrer umha enorme pressom por umha mao policial, enquanto Aurlio Lopes era espancado e agredido com um cacete com que tentrom forar-lhe o ano.

3) Umha vez trasladados escuadra policial, trs policias fechrom o garagem no qual se detivera o veculo, deixando-nos ao "cuidado" de trs agentes, entre eles os dous que levavam o carro. Aps sarmos do veculo, Iago Barros foi deliberadamente espancando com dous fortes golpes de cacete no lombo e as ndegas, enquanto transcorria o primeiro "cacheio" a que fomos submetidos. O maior dos polcias presentes tivo de intervir exigindo o seu companheiro que se tranquilizasse.

4) Levados ante-sala dos calabouos, na qual aguardamos quase 5 horas sem ser informados sobre a nossa situaom, fomos postos baixo vigilncia, alternativamente desenvolvida por um ou dous agentes.

Passadas duas das 5 horas referidas, o polcia antidisturbios que provocou a nossa detenom no centro de Compostela baixou a "visitar-nos". Ante esta inesperada e agressiva apariom e, em previssom do que puder ocorrer, os agentes encarregados de custodiar-nos abandonrom cobarde e cumplicemente a sala.

A "intervenom" desta autntica besta supujo que Aurlio Lopes fosse agitado e insultado, trs o qual o agresor se dirigiu a Iago Barros, a quem propinou trs punhadas na cabea com a mao direita, a qual enfundara previamente numha luva de l, mantendo ao descoberto a mao esquerda, o que pode dar ideia da intenom com que acudiu onda ns. Acompanhando a gesta de horror com insultos e ameaas consistentes em frasses como "ensame ahora la lengua que te la troceo" ou "esta noche la vais a pasar en los calabozos. Ir a visitaros para meteros un cuerno por el culo. Preparaos". Ao abandonar o soto, e acreditando a natureza poltica das agressons, chamou-nos "desgraciados, bobos, terroristas".

5) Sobre as 22,30 horas, aps o sofrimento padecido, e ante os flagrantes danos causados em genitais, costas, ndegas e cabea, decidimos solicitar atenom mdica para Iago Barros Alis, solicitamos o Habeas Corpus devido ao intolervel procedimento da detenom seguido pola Polcia espanhola em todo o momento, interpretado ao ritmo de falsidades, insultos, ameaas e agressons.

Se a primeira petiom foi demorada at as 2 da madrugada, a segunda foi denegada polo juz, que nom achou irregularidades no procedimento.

6) Um de ns, a tratamento mdico crnico de dous rgaos vitais, dirigiu-se polcia com a finalidade de lhe ser facilitada a medicaom precisa. A reacom, semelhante s anteriores, foi afirmar que "isso fai-se num momento". Duas horas depois ningum perguntara sequer qual era a medicaom necessria, malia a nossa permanente insistncia sobre este aspecto.

A medicaom, solicitada s 22.30 para ser tomada s 23 horas, foi facilitada de jeito incompleto por servios hospitalrios s 03.30 da madrugada.

7) Finalmente informados, por volta das 01.00 horas da madrugada da nossa situaom de detidos em qualidade de 4 delitos atribudos (danos, desordens pblicas, resitncia autoridade e atentado), fomos internados em calabouos, onde permanecemos a noite toda at s 09.00 da manh sermos despertados para falar com o advogado e passar a instruom.

Dito o qual, Aurlio Lopes e Iago Barros desejamos pr em conhecimento de todo democrata galego a detenom irregular de que fomos vtimas e, particularmente, a tortura impingida durante o tempo que estivemos custodiados pola polcia.

Achamos doloroso termos sido sujeitos passivos de violaons tam brutais mas, ante todo, achamos intolervel que na Galiza do sculo XXI, uniformados espanhis se dignem a torturar em dependncias da Polcia espanhola jovens galegos pola sua condiom poltica.

Queremos rematar reconhecendo o trabalho mais importante do processo. esse trabalho que fixo a gente desde o primeiro momento em que fomos levados polo r. Ainda agora, escrevendo estas linhas, lembramos com emoom o momento no qual os concetrados e concentradas recharom a violncia empregada e berrrom desde a injustia contra os armados.

Muito obrigado a todas as pessoas que sarom o mesmo dia dos feitos rua a denunciar o acontecido, a quem se concentrou at a nossa posta em liberdade, a todas as organizaons e colectivos que tirrom comunicados, e a todas as pessoas que se interessrom por ns.

Agora mais do que nunca decatamo-nos do importante de construirmos um movimento social que ante estes feitos nom tem mais regras das que a democracia.

Por todo isto, apelamos a massa galega comprometida com os direitos fundamentais a tomar nota do relatado e agir em conseqncia.

CONTRA A REPRESSOM, MOBILIZAOM!

NENGUMHA AGRESSOM SEM RESPOSTA!

TORTURAS NA GALIZA NUNCA MAIS!

FORA AS FORAS DE OCUPAOM!!

P.S.: Devido a que os remetentes empregamos um correio particular para difundir a notcia, solicitamos de tod@s @s particulares e colectivos receitores, que encaminhem o texto para mais contactos e assim lograrmos a maior propagaom. Alm disto, sugerimos a possibilidade de ser pendurado o texto em todo o tipo de redes, sem modificaom algumha (a menos que se quiger traduzir), nom sendo a ocultaom do rosto das fotos.

Acompanhamos e anexamos fotografias dos hematomas sofridos por Iago Barros.

Muito obrigados."

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