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Actualizada em
14/01/14
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Disponibilizamos artigo sobre a Junta e o antiabortismo

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Campanha Quem cho impede? Liberdade sexual, o nosso direito

Especial Comissom Nacional da Mulher

Setembro de 2009

Fai dias o portal da organizaom comunista Primeira Linha acolhia o artigo de opiniom assinado pola nossa companheira Noela Campanha sobre a cumplicidade entre o governo de Feijo e o antiabortismo, aprovando a Iniciativa Legislativa Popular levada acabo por organizaons integristas como RedMadre ou Foro Galego da Famlia. Polo seu interesse reproduzi-lo tambm no nosso stio web.

"Antiabortistas na Junta"

Grupos pr-vida poderm assessorar mulheres grvidas com dinheiro da Junta. Este era o cabealho que aparecia na ediom galega do jornal espanhol El Pas h dias relembrando-nos mais umha vez a incerta situaom dos direitos sexuais das mulheres na Galiza.

Em plena ofensiva antiabortista, na altura do 12 de Maio, a maioria absoluta do PP no Parlamentinho dava luz verde Iniciativa Legislativa Popular (a primeira do novo governo) para a criaom dumha rede de apoio s mulheres grvidas (RedMadre, tutelada entre outras polo Foro da Famlia); meses mais tarde apresentam as suas emendas, agora j Proposiom de Lei, para permitir concertos entre a Junta e organizaons fundamentalistas catlicas.

Quer dizer, o PP vai alimentar com dinheiro pblicoo os defensores da perpetuaom do patriarcado para impedir, em palavras da deputada do PPdG Paula Prado, o desprezo s mulheres grvidas para o qual tanto contribui a esquerda seguidora das teses de Simone de Beauvoir.

Com sinceridade, se calhar, qualquer esforo por fazer novidoso o carcter deste artigo pode ser pouco frutfero, mas que a ofensiva patriarcal parece apostar nos ataques de cariz cclico que umha vez e outra vez nos fam reflectir sobre algo sobre que o feminismo de classe leva dcadas teorizando. Negar-nos o direito a um aborto livre e gratuto umha forma brutal de discriminaom j que as mulheres ficamos inabilitadas do direito a decidirmos sobre os nossos corpos e as nossas vidas.

Carece de novidade dizer que as organizaons antiabortistas estm conformadas por um macio nmero de integristas catlicos que nos obrigam a viver com a carga do reprodutivismo na nossa vida sexual. Assim como ligaom que existe entre estas, a poltica institucional e a Igreja Catlica combinando perfeiom misoginia, leis punitivas patriarcais e repressom j leva sculos a existir.

Mas, desta volta, o PP, nos delrios prprios das maioirias absolutas, pretende devolver-nos famosa era sem condom de Fraga. Sem vergonha, parte e reparte o suculento bolo do dinheiro pblico entre os aliados: dinheiro para especuladores, dinheiro para centros de ensino privados, dinheiro para associaons contra o galego, dinheiro para os repressores sexuais Afogando a esqueltica rede de servios pblicos da CAG.

Ainda que Paula Prado argumente que em nengum momento Red Madre questiona outros direitos e nom obedece a consideraons morais. Se visitares a pgina da filantropa Fundaom Red Madre e fores secom de ests grvida? vers umha grande verdade (a nica de toda a pgina): Ningum pode obrigar-te a atentar contra a tua integridade fsica. Lstima que o contexto seja unicamente no caso de que te obriguem a abortar e nom no caso de que te obriguem a gestar durante nove meses no Teu Prprio Corpo.

Mas bom, sigamos: a proposiom de lei inclui a criaom de centros de assistncia e assessoramento (aproveitando os centros de informaom mulher que existem agora!!!!) para, suponho, informar de que a sensaom de abortar igual a que te arranquem os rgaos alm de destroar o feto que tem instinto de sobrevivncia ou da sndrome ps-aborto e a sua culpabilidade psicolgica por nom ter o esprito em paz que com toda a probabilidade te levar a querer suicidar-te por teres contribudo para essas mais de 100.000 defunons por aborto em 2007. Alm do mais, no seu manifesto dim que a educaom sexual, o uso do preservativo ou a utilizaom de anticonceptivos som soluons esgotadas.

INASSUMVEL. Se algum afirma que estas palavras nom obecem a consideraons morais alm do total desprezo por umha ptica cientfica, ou nom sabe ler ou mente. Entom, sobre que nos vam assessorar estes ignorantes ou mentireiros vidos de subsdios?

As dimensons destas agressons estm presentes nom s no contexto social e poltico do Estado espanhol, contam com um corpo bem definido a nvel internacional. Um amplo movimento reaccionrio definido polo seu carcter militante e as grandes injecons de dinheiro procedentes dos partidos ultracatlicos e ultraconservadores. Grandes investimentos que velam pola eficcia desta grande engrenagem que permite a sobrevivncia do sistema patriarco-burgus graas proliferaom assegurada da fora de trabalho social e protecom da instituiom da famlia, na qual se propaguam os valores do sistema.

As dcadas de antiabortismo institucional supugrom arredor de 2.500 abortos anuais s entre adolescentes galegas. O feminismo tem que trabalhar por polticas sexuais que sejam independentes da moralidade patriarco-burguesa destes estados e servir de altofalante das palavras de todas aquelas mulheres que decidem nom ser maes por que sim. Que desconhecem se podem ou nom abortar pola Segurana Social. Que recorrem a clnicas privadas levadas polo anonimato da informaom do web. Mulheres obrigadas a pagar quantidades desorbitadas que lhes permitam garantir a soberania sobre os seus prprios corpos. Mulheres sem recursos para um aborto e muito menos para manter umha criana. Mulheres que se deslocam durante horas para receberem assessoramento nos centros de planeamento familiar.

Efectivamente, tambm h mulheres que se sentem culpveis por abortar, mas polo mesmo motivo que as fai sentir culpveis por nom ser fiis aos seus pares, por nom serem entregadas maes, por nom saberem atender a casa, serem referenciais no seu posto de trabalho e serem o cone sexual que invejam os companheiros de trabalho do seu marido.

Educam-nos para sermos culpveis por algo. Somos como ecos da Eva e, sinceramente, fagamos o que figermos, nom ser suficiente para o integrismo catlico e seus laicos legisladores. Quero dizer, o sistema patriarcal baseia-se na superioridade do homem sobre a mulher; portanto, no caso que agora tratamos, ou se pola igualdade real apoiando o direito ao aborto e se opta por abafar o antiabortismo; ou se por aperfeioar a blindagem de que goza o patriarcado e que lhe permitiu resistir qualquer dos modos de produom que existrom ao longo da histria. At o de agora nem PP, nem PSOE, nem BNG mostrrom nengumha intenom mais al da tpica e obrigada guerra de votos, do feminismo de classe depende.

Ver tambm o especial: Comissom Nacional da Mulher