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Actualizada em
14/01/14
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Violência machista:imprescindível para a dominaçom patriarcal

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Especial Comissom Nacional da Mulher

Novembro de 2009

Achegamos o artigo de opiniom assinado por Rute Cortiço, Responsável da Mulher de BRIGA, com o intuito de reflexionar sobre a violência machista e as situaçons que a propiciam e a alimentam.

Violência machista: imprescindível para a dominaçom patriarcal.

A violência machista é a a violência que praticam os homens contra as mulheres em todas as partes do mundo, exemplos som assassinatos massivos de mulheres de dimensons de feminicidios em Guatemala, Ciudad Juárez, Colómbia..., crímes contras mulheres em zonas de guerra, mutilaçons sexuais... na Galiza no que vai de ano já contamos com 5 mulheres mortas e a violência machista perpetúa-se na gente mais nova. As estruturas económicas, políticas e religiosas estám mantendo e perpetuando umha organizaçom patriarcal da sociedade onde se encontra enraizada a violência machista, umha realidade implantada em todo o planeta, e que amosa a sua face mais descarnada em situaçons de guerra, tráfico de pessoas, exploraçom sexual… , miles e miles de manifestaçons da violêcia machista contra as mulheres que nos desbordam.

Mas hoje abordarei os aspectos da violência contra as mulheres que se producem no nosso entorno mais cercano, o que é tagível para nós e onde mais ou menos podemos incidir, no Estado Espanhol acontecem uns cem assassinatos de mulheres por violência maschista, decretada a igualdade entre homens e mulheres com umha Lei Orgánica contra a violência de género, com julgados especiais... que é o que falha?

Por que violência machista?

Comecemos por por-lhe nome ao este fenómeno, um nomem o mais correito possível, já que o que nom tem nome nom existe, ou o que tem um nome confuso ou difuso será propício a confusom, e nom devemos permitir nengumha confusom, devemos nomear a violência com claridom para visibiliza-la. Nós, falamos da violência que exercem os homens, individual ou coleitivamente contra as mulheres para impôr e fazer permanente o seu control e dominaçom, assim fica definido o sujeito executor, os homens e o sistema de dominaçom patriarcal e o sujeito receitor e submetido, as mulheres.

Nom aceitamos o termo violência doméstica ou familiar, já que a violência contra as mulheres nom se tem porque dar obrigatóriamente no ámbito familiar, além esta terminologia tem umha clara connotaçom invisibilizadora já que nom se nomeam às mulheres e se lhes equipara à familia. O termo violência de género também nom é acaido já que nom é correito identificar as mulheres com um género que como sabemos é umha construcçom social. Outros termos utilizados comunmente polo meios de informaçom como “ crime pasional”, “ataque de ciumes”, “arrebato”, som ainda menos recomendáveis já que em estes casos além nom reflexar a carga machista da agressom resta-se-lhe importáncia ao mesmo facto de que foi um assassinato, e incluso podem ter umha repercussom positiva sobre o assassino.

Assim em muitas ocasson temos a sensaçom de que o tratamento nom é o adecuado e de que a visibilizaçom que se lhe da nos meios nom serve à causa feminista, mais bem serve a outros interesses, morbo, tal vez. Quando escuitamos a notícia esta caracteriza-se por umha descripçom escrupulosa da agresom violenta, e vai seguida de umha condena, logo sucéden-se os relatos das pessoas do entrono...e finalmente a agredida móstra-se como um ser victimizado, indefeso, sem recursos, sem possibilidade de defender-se...

É isto o correito?

Se calhar o relato tinha que ter começado muitos anos antes, quando a educaçom tanto por parte das instituiçons educativas, como por parte de família, meios de comunicaçom, religiom, mass media, mundo laboral, linguagem sexista...... imprimem em nós os roles masculino e feminino, mediante um curriculum oculto que digerimos sem ser conscientes.

Criamos umha realidade esterotipificada 'do grupo social das mulheres' e do 'grupo social dos homens' aplicam-se-nos a tod@s umha série de características fixas que se tomam como válidas em geral. Assim os rasgos individuais som anulados. Embora representam imagens desvirtuadas e erradas da realidade que som muito resistentes, porque escapam ao controlo da razom e tenhem umha importante e valiosa funçom social: criam e mantenhem umha ideologia social e umhas práticas que, apoiadas em estereótipos, establecem e sostenhem diferenças e hierarquias na valorizaçom de uns grupos sobre outros. Os estereótipos sexistas, que privilegiam e destacam a cultura e os valores masculinos, constituem umha manifestaçom do patriarcado como universo simbólico hegemónico. Assim desde um modelo social androcéntrico, somos preparadas psicologicamente para que esta sociedade assigne a cada sexo um papel activo, protagonista e emprendedor para os rapazes ou passivo e secundário para as raparigas. Outro rasgo seria a invisibilidade, a visom sesgada e androcéntrica da história ignora as aportaçons das mulheres no desenvolvimento da humanidade. De este jeito cría-se um desequilíbrio social já que a sobrevalorizaçom das actividade realizadas polos homens tem claras repercussons na consideraçom cara às mulheres e de aquelas actividades que elas realizam, dando lugar à menor valorizaçom das profissons denominadas femininas.

Criam-se nas jovens as condiçons necessárias para umha personalidade passiva, dócil, amável... com objetivos vitáis como ter um marido, ter um trabalho no que o normal é cobrar menos que o homem, umha relaçom co companheir@ de submisom e negaçom da própria personalidade, na televissom todos os dias como algo quotidiano, imagens de mulheres invisíveis, agredidas, escravas... Todo um caminho de violência sistemática, silenciosa, sutil, inferioridade, um longo trabalho prévio que permitira que ao final se chegue à agressom com total normalidade.

Em conclussom, quando umha mulher chega ao ámbito penal já viveu todo um caminho de agressons nom penaveis, o itinerário que devera seguir esta mulher para entrar no jogo do Código Penal será primeiro convertir-se numha vítima, e denunciar o caso judicialmente, a partir de esse comento começam a por-se em andamento umha série de ajudas que se otorgam porque a mulher agredida é um ser incapaz, inútil, desamparada, há que dizer-lhe o que tem que fazer e actual por ela.

Seria um insulto para a inteligência das mulheres pensar que vamos crer essas teorias nas que se erradicara a violência machista com medidas legais ou institucionais, já que som essa mesmas instituiçons as que estam consevando esta orde social de autoritarismo patriarcal.

A alternativa será analisar as raízes da violência contra as mulheres, actuar sobre as causas e dotar as próprias mulheres (em vez de victimiza-las) das ferramentas necessárias para que elas mesmas iniciem a sua luita e a sua resitência.

O que reinvindicamos vai mais alá das ajudas económicas e vantagens de ser vítima, o que queremos nom é arranjar do melhor jeito possível a vida de umha mulher maltratada, o que queremos é que nom acontecam mais agressons, queremos liberdade, autonomia e independência para que as mulheres poidam desenhar as suas vidas sem caer em relaçons de dependência que as levaram ao maltrato e inclusso à morte. Acabar com as situaçons que propíciam que as mulheres sejam identificadas como inferiores, umha muito destavel é o matrimónio, onde o homem pode exercer a sua autoridade, controlo e prepotência do seul rol masculino com toda a legitimidade e criar espaços de apoio, como comités antiagressons, onde se lhes facilitem às mulheres as ferramentas acaídas e de onde se faga pública essa violência em diferentes ámbitos, inclusso no do agressor, poderia ser um começo.

Ver também o especial: Comissom Nacional da Mulher