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Actualizada em
14/01/14
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Entrevista com os três detidos por tentar tirar a estátua de Millán Astray

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Campanha 29-M, que se vaiam!

Maio de 2005

Vreixo Formoso, Borja Neves e Afonso Mendes som os três militantes de BRIGA que fôrom detidos a passada quarta-feira 18 de Maio quando tentavam tirar a estátua de Millán Astray da cidade da Corunha.
A acçom, enquadrada na campanha contra o desfile do Exército espanhol que terá lugar o próximo 29 de Maio na cidade corunhesa, pretendia fazer desaparecer o mais importante símbolo da dictadura fascista que ainda fica na Galiza além de um dos mais importantes do militarismo espanhol.

Após a sua posta em liberdade com cargos falamos com eles para que nos contassem em primeira pessoa o que pretendiam com a acçom e como passárom as mais de 24 horas que permanecêrom na esquadra da polícia espanhola na Corunha.

Pergunta. Na cidade da Corunha há multidom de simbologia fascista e militarista. Por que escolhestes para esta acçom a estátua do Millán Astray?

Afonso. Como dis é certo que som multidom as lembranças dos "anos escuros" que ainda pervivem na Corunha por obra e graça do nosso alcaide, mas é a estátua de Millán Astray, sem dúvida o mais importante, já nom só dos que pervivem na nossa cidade senom de toda Galiza. É por isto que escolhemos este símbolo num momento, a uns dias do Desfile, em que é importante despertar consciências sobre a verdadeira face do militarismo espanhol, encarnada perfectamente por este personagem.

P. É público que pretendestes tirar a estátua do genocida espanhol Millan Astray cortando-lhe as pernas, mas é surprendente a fórmula e a hora escolhida. Contade-nos como foi que figestes e por que?

Afonso. Pois nós chegamos à Praça em que se acha estátua às 9 em ponto da manhá vestidos com fato-macacos, deixamos o material e começamos a trabalhar. Sabíamos que contavamos com apenas uns minutos para derrubar o fascista polo que agimos com bastante rapidez. Tivemos a má sorte de que o motor que levávamos para fazer funcionar a rebarbadora tardou uns quatro minutos em arrincar. Esto foi o que impediu que o conseguíramos. Umha vez que arrincou tardamos apenas três ou quatro minutos em cortar umha das pernas e quando começávamos com a segunda chegou umha carrinha da polícia espanhola de choque. Nós estávamos preparados por se isto acontecia, preparados para que quando chegasse a polícia pudéssemos impedir que paralissassem a acçom e dar uns minutos mais ao companheiro que estava com a máquina. Assim que lhes digemos que éramos operários da Cámara Municipal e que tínhamos orde de derrubar a estátua. Todo isto enquanto o Borja seguia cortando. Parece que o chefe do operativo acreditou e mesmo telefonou a Cámara, mas ao dizer-lhe o funcionário com o que contactárom que nom havia nengumha obra prevista ordenárom parar. Desgraçadamente esses minutos extras que conseguimos nom fôrom suficientes e nom alcançamos derrubar o Millán Astray.
Umha vez detidos, no tempo do traslado à esquadra policial, estávamos de acordo que o problema fora o motor. Se chega a ter acendido a estátua seria história.

Vreixo. Sobre o da hora e metodologia há que dizer que desde que começamos a preparar a acçom tínhamos claro quê dous objectivos perseguíamos. Por um lado romper o cerco mediático imposto sobre as iniciativas contra o Desfile com umha acçom contundente que como dixo o companheiro desmascarasse a verdadeira face do Exército espanhol, por outro buscavamos umha fórmula que burlasse o impresionante despregamento policial que mantém Corunha num verdadeiro estado policial e que demonstrasse que com audácia é possível fazer cousas.
O segundo dos objectivos explica a hora e a metodologia utilizada. Além do mais esta foi a fórmula que achávamos mais viável, já que a zona em que se encontra a estátua, de um lado tem um quartel e do outro vivendas militares, invalidava realizá-lo pola noite. O ruído do motor chamaria muito a atençom tanto aos milicos encarregados da vigilancia nocturna do quartel de Atocha como das pessoas que estivessem a dormir e que seguramente acordassem com o ruído. É certo que agora muit@s dirám que se tinha que ter feito desta ou desta outra maneira, mas ainda sem lograr tirá-la nom sabemos de nengumha inicitiva destas características que estivesse tam perto de fazê-la desaparecer. E como dixo o companheiro falatárom-nos esses minutos que tardamos em acender o motor. Também há que ter em conta que simultaneamente numha outra obra estavam utilizando umha radial que desprendia o mesmo ruído.

P. Na vossa detençom participárom além de meia dúzia de membros da polícia de choque espanhola, vários carros patrulha. Como reaccionam ante a acçom e como se produz?

Borja. Pois apesar do grande despregamento o trato é bastante correcto. De facto íamos preparados para um pior trato na detençom, para o habitual nestes casos, e que era ainda mais provável tendo em conta que os enganáramos com o tema do permisso do Concelho. Simplesmente algemárom-nos e metêrom-nos na furgona. Além disto nem maus tratos, nem insultos, nem vexaçons, que como digo é o habitual e ao que nos tenhem acostumados. Para além de terem-nos algemado perto de duas horas, e iso doia-nos bastante até oponto de queixarnos na esquadra.
Eu penso que estavam um pouco surpreendidos pola acçom, por toda a parafernália, que se os fato-macacos, o gerador, a rebarbadora, incluso a hora que escolhimos.

P. Depois levam-vos à esquadra policial de Lonças onde passades mais de 24 horas. Como transcorre o tempo lá?

Borja. Pois aqui o trato já muda para pior. Além de que as condiçons da celas som totalmente insalubres e de ter que aturar os habituais registos e a humilhaçom de se espir, à qual nos negamos a fazê-la de forma íntegra, foi graças a nossa resistência que o figemos peça a peça. Ao Afonso e a mim próprio pedírom-nos fazer flexons, mas nos negamos. Logo, tentárom de intimidar-nos levando-nos por separado a falar com mandos policiais ou polícias à paisana de madrugada. Nestes interrogatórios o trato foi distinto uns dos outros, desde a intimidaçom mais crua da que foi objecto o Afonso até os discursinhos paternalistas ao Vreixo, que consideravam o companheiro com menos experiência e polo tanto mais inocente.

P. Em que consistírom exactamente essa espécie de interrogatórios? Dicides que o que sofreu o Afonso foi pura intimidaçom, por que?

Afonso. Primeiro há que dizer que todos nós faláramos com o nosso advogado sobre as 19 h. Depois levárom-nos de novo às nossas celas e nom nos molestárom mais até de madrugada quando por separado nos iam levando a falar com estes mandos policiais. No meu caso pois começárom por fazer um percorrido polos meus hábitos, que se chego a tal hora à minha morada habitualmente ou que se saio de troula e quando saio, um pouco para demonstrar que me tinham controlado. Depois já passárom a ameaçar-me com a minha família para depois dar-me o aviso sobre o que se passaria a próxima vez que caisse nas suas maos. Figérom-me perguntas sobre BRIGA e sobre os movimentos sociais e antimilitaristas que tenhem aparecido com força recentemente na cidade, negei-me a responder a todo este tipo de perguntas.

P. Após a vossa posta em liberdade com cargos como valorades a acçom e as reacçons que provocou?

Vreixo. Apesar de que nom lograramos derrubar a estátua valoramos de forma mui positiva a tentativa e cremos que logramos umha parte dos objectivos que nos marcávamos quando a preparávamos. Primeiro porque rompimos, ainda que só parcialmente, o cerco de siléncio mediático. Segundo porque volvemos a pôr enriba da mesa o problema da permanência de simbologia fascista. E por último porque demonstramos que apesar do estado policial, das dezenas de polícias de choque, apesar de helicopteros de vigiláncia ou dos seguimentos da polícia à paisana som vulneráveis. Todo aponta a que a apariçom das forças de choque na acçom foi provocada por um cámbio de turno, mas nom devemos descartar um possível telefonema do quartel ou das vivendas militares.

Afonso. Tamém gostariamos de agradecer as mostras de solidariedade recebidas por parte de numeros@s vizinh@s, companheir@s e pessoas de diferentes colectivos ou organizaçons que acodírom às concentraçons e que exigírom na rua a nossa libertaçom. Som estas mostras de solidariedade activa as que te dam novos fôlegos para seguir na luita, muito obrigado a todos e todas.

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Ver também a campanha: 29-M, que se vaiam!