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Actualizada em
14/01/14
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Entrevistamos Óscar Peres Vidal, membro da Executiva Comarcal da CIG em Trasancos

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Campanha Tempo de crise, tempo de luita

Julho de 2010

Polo seu interesse disponibilizamos no nosso web a entrevista que @s companheir@s do Grupo de Base de Trasancos realizárom ao responsável de Comunicaçom e Mocidade da CIG em Trasancos, Óscar Peres Vidal:

Nestes momentos de crise em que a agudizaçom das contradiçons do sistema capitalista chegam ao seu ponto mais álgido, sem dúvida algumha a juventude trabalhadora constiui o sector populacional mais castigado pola avarícia capitalista que conduziu à actual situaçom. Para reflectirmos um bocado sobre a situaçom da juventude trabalhadora na nossa comarca, o Combate entrevista desta volta ao membro da Executiva Comarcal da CIG, Óscar Peres Vidal, quem ostenta a responsabilidade de Comunicaçom e Mocidade da central sindical em Trasancos.

Combate. Quais som os traços característicos da actual situaçom laboral da juventude trabalhadora galega e, mais em concreto, da nossa comarca?

Óscar Peres: Tendo em conta a lamentável situaçom laboral da classe trabalhadora, logicamente a situaçom da juventude trabalhadora galega é igual ou inclusso pior. Assim se olhamos para os dados laborais actuais tirados do(s) relatório(s) do Instituto Galego de Estatística (IGE) vemos que por exemplo o 60% das pessoas desempregadas na Galiza, dum total de quase 230.000, nom supera os 34 anos de idade. O salário médio da populaçom até os 34 anos é como mínimo entre um 25-40% inferior que a média galega. A taxa de temporalidade entre a juventude, é dizer a percentagem entre contratos temporários e indefinidos duplica à média. Em definitiva, podemos afirmar que juventude padece muito mais a exploraçom laboral que outros sectores da populaçom e todos estes dados ainda seriam muito piores se nos centrassemos no caso das jovens trabalhadoras.

Enquanto á nossa comarca a situaçom é semelhante em percertagens, se bem o número total supera as cifras doutros lugares da Galiza. Como bem é sabido está comarca padece umha situaçom endémica de desemprego e precaridade laboral, desde as década dos oitenta, quando a aplicaçom das políticas do Estado espanhol e a UE, figêrom um ataque contra os nossos sectores productivos, desmantelando o sector naval galego (BAZÁN e ASTANO, actualmente NAVANTIA) com a conseqüente perda de centos de postos de trabalho, e provocando umha crise fondíssima que ainda padecemos. Foi também a migraçom, derivada dessa crise continua, um dano colateral que provocou que Ferrol perdesse ao redor dum 15% da sua populaçom durante as últimas três décadas, a maioria destas pessoas eram jovens que emigravam na procura dum posto de trabalho.

Podemos dizer, que a precariedade é a melhor definiçom para falar da situaçom laboral tanto da juventude trabalhadora galega, como em concreto da nossa comarca onde o desemprego alto, os salários baixos e os contratos precários som os traços fundamentais. Por isto é necessário e fundamental o trabalho da juventude dentro da CIG, como instrumento fundamental na defessa dos interesses de classe, atacados continuamente polo Capital, e como meio de formaçom para a juventude trabalhadora.

C. Que papel desenvolve a juventude trabalhadora afiliada à CIG? Há lugar para a auto-organizaçom juvenil obreira?

OP. A verdade que o nosso objectivo deve ser fomentar os espaços de trabalho, formaçom e de participaçom da juventude na CIG, ainda que desde o último Congresso Nacional celebrado em Junho de 2009, é bastante mais complicado, já que a maioria sindical ligada à UPG, atacou e eliminou a auto-organizaçom da juventude dentro da central sindical introduzindo emendas que iam precissamente na direçom contrária, isto é, um maior control e “tutela” da mocidade e umha opossiçom frontal e absoluta a sua auto-organizaçom.

A pesar disto, com as regras de jogo que nos imponhem, o nosso papel tem que ser o de dar cabida e participaçom a juventude, permitindo em todo caso que sejam eles/elas quem marquem as linhas de actuaçom em todo o referente a mocidade, que sejam eles/elas quem desenhem as políticas a aplicar a juventude. Nom podemos aplicar neste caso um modelo errado e nocivo, que nom creia na juventude. O papel que desenvolve a juventude trabalhadora é moi importante, como fica reflectido na multidom de conflitos, greves, piquetes..., nos que precisamente a juventude foi o elemento revulsivo, dinamizador e combativo necessário.

Por isto o nosso trabalho deve centrar-se em oferecer espaços e nom por cadeias à juventude, para o qual desde a Secretaria de Mocidade da Comarca de Trasancos, pretendemos fazer assembleias da mocidade, convertindo precisamente este organismo no grande centro de decisom para a juventude trabalhadora afiliada à CIG nesta comarca.

C. Nom há lugar a dúvidas que na reforma laboral que está ao cair a juventude trabalhadora será o alvo dum novo ataque. Que há de novo nesta enésima agressom polo simples feito de sermos jovens e trabalhadores/as?

OP. Nas últimas décadas todas e cada umha das reformas laborais levadas a cabo polos governos do Estado espanhol, até um total de cinco entre o ano 1984-2006, supugêrom um ataque contra os interesses da classe trabalhadora. Mais a reforma laboral que vai aprovar o PSOE, supom o maior ataque contra a classe trabalhadora nos últimos trinta anos. Esta reforma vai facilitar e abaratar o despedimento, além de “flexibilizar” as relaçons laborais nos centros de trabalho ou o que é o mesmo dar mais poder aos patrons para poder aplicar modificaçons laborais ao seu antolho, atacando a aspectos básicos como a negociaçom colectiva, ou a própria razom de ser dos sindicatos nos centros de trabalho. Também vai oferecer quantidades escandalosas de dinheiro aos patrons, nalguns casos metendo mao nos fundos públicos a través do FOGASA, e sendo a própria classe trabalhadora quem pague em caso de despedimento a sua indemnizaçom paradoxalmente, vai potenciar também a privatizaçom dos serviços públicos de emprego e as ETT´s.

Mas sem dúvida vai ser a juventude a grande prejudicada com esta nova reforma. Em primeiro lugar há que lembrar, tal e como apontavamos antes que é a juventude quem apresenta os maiores índices de precariedade, temporalidade, salários baixos..., polo que umha precarizaçom do mundo do trabalho maior, vai repercutir muito mais nas e nos jovens. Um exemplo disto seria que se vam potenciar os contratos de formaçom, ampliando a possibilidade de faze-los até os 24 anos de idade (antes era até os 21), como sabemos estes contratos tenhem menor remuneraçom para a trabalhadora/or. O aumento da contrataçom de ETT´s por parte das empresas, também vam a repercutir negativamente na classe trabalhadora e concretamente na juventude, ao igual que a privatizaçom dos serviços públicos...

Por isso é fundamental que desde a CIG, se passe à ofensiva e nos deixemos de complexos e medos, nom podemos permitir esta enésima agressom. As nossas filiadas e filiados estám aguardando umha resposta ao igual que o conjunto da classe trabalhadora.

C. Que se pode fazer desde a central sindical para responder a estes ataques da patronal e os seus governos títeres?

OP. Em primeiro lugar, devemos de manter umha posiçom combativa e activa, com umha resposta clara e efectiva na rua, nos centros de trabalho, e ali onde sejam atacados os interesses da classe trabalhadora, como podem ser os bancos, as empresas... . Temos que conseguir mobilizar aos trabalhadores/as, para o qual é necessário fomentar o assemblearismo e potenciar a participaçom das filiadas e filiados, fazendo que nom sejam meros observadores/as, senom que participem e sejam o verdadeiro motor no dia a dia. Temos que potenciar o sindicalismo da militância, e nom o mero sindicalismo dos profissionais e dos serviços. E sem dúvida em todo este processo de luita é importante mobilizar à juventude, permitindo espaços de trabalho dentro da central sindical.

Se bem, a unidade de classe, é algo fundamental num momento de ataque contra os nossos direitos, tampouco podemos fazer disto um totem inamovivel, máxime quando som as élites sindicais, nom a sua militância, quem estám em muitos casos vendendo os interesses da classe trabalhadora. Por isso nom podemos tampouco ser meros espectadores e seguidistas do que faga o sindicalismo espanholista representado por CCOO e UGT, se nom que devemos dar um passo para diante e marcar a nossa linha própria, e para isso é fundamental ter um trabalho contínuo, de luita e de combate na rua.

Ver também a campanha: Tempo de crise, tempo de luita