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Actualizada em
14/01/14
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“O Pedroso” entrevista Guilherme Brea: “Há que convocar já umha nova jornada de greve geral. O sindicalismo galego está na obrigaçom de levar agora a iniciativa”

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Campanha Tempo de crise, tempo de luita

Outubro de 2010

A seguir reproduzimos a entrevista realizada ao nosso companheiro Guilherme Brea e recentemente publicada no “O Pedroso”, vozeiro de Nós-UP da comarca de Compostela. O Guilherme, operário da construcçom desde fai anos e desempregado na actualidade, achega-nos a sua visom sobre as consequências da explosom da bolha imobiliária, a situaçom laboral no seu sector e a necessidade de que seja o sindicalismo galego o que marque o ritmo para umha vindoura Greve Geral.

Que a desfrutedes!

Pedroso. A selvagem especulaçom urbanística na Galiza e posterior explosom da bolha imobiliária tem repercutido de maneira evidente no teu sector. Qual é para ti a situaçom depois de dous anos de crise?

Guilherme Brea. Como bem comentas a Galiza nom ficou fora da bolha imobiliária na qual o Estado espanhol tinha baseado a sua economia. A chegada da crise demonstrou o que parecia já impossível: piorar ainda mais a situaçom dos trabalhadores e trabalhadoras da construçom. No meu caso concreto estes dous últimos anos estivem trabalhando numha empresa em que passamos de um quadro de pessoal de 15 trabalhadores aos 6 que restam na actualidade. Eu fum despedido há aproximadamente um mês, mas este processo de despedimentos fazia-se de forma progressiva infundindo um medo do qual a empresa tirava também lucros… mais horas extra gratuitas, dificuldades para exercer direitos como feriados, etc.

Num convénio que marca 40 horas semanais nós fazíamos por volta das 50.

P. A greve geral do dia 29 de Setembro foi umha resposta maciça do povo trabalhador galego à reforma laboral, valorizada polos sindicatos como êxito rotundo na Galiza, por cima do seguimento no Estado espanhol. Como valorizas a greve?

GB. O conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras, especialmente o proletariado fabril, demos umha dupla liçom. A primeira ao patronato, com umha contundente adesom à greve que atingiu na Galiza por volta de 80% de seguimento, muito por cima do resto do Estado; conseguiu-se parar os principais sectores do País e chefes e donos das empresas tivérom que tomar nota da nossa força. A segunda liçom demos-lha aos sindicatos amarelos e à direcçom acomodada da CIG, quebrando com todas as suas suas previsons numha greve na qual eles mesmos nom acreditavam, e na qual se constatou umha combatividade na rua que deixou atrás as inércias acomodadas em que estám instaurados os sindicatos sem iniciativa própria. Porém é necessário mantermos e alargarmos a luita. A resposta do 29-S foi mui importante mas claramente insuficiente. Há que convocar já umha nova jornada de greve geral. O sindicalismo galego está na obrigaçom de levar agora a iniciativa.

P. E no teu sector?

GB. O sector da construçom respondeu bastante bem à greve, no meu caso já estava fora da empresa mas sei que nom se parou. Nas empresas pequenas o trabalho sindical é muito mais complicado e os sindicatos tampouco fam esforços por entrar nelas e quando o fam, som sindicatos vendidos ao patronato. Na minha empresa o único filiado, pertencente a CCOO era o encarregado e sobrinho da chefe, polo que podedes imaginar o intenso trabalho sindical do indivíduo. Além disso, como já comentei existia umha ameaça constante de despedimento, o medo tirava fora qualquer convicçom de ir à greve.

P. Construçom e acidentes laborais som palavras que aparecem excessivas vezes ligadas nos meios…

GB. O pior é o tratamento que lhes é dado como se falássemos de desgraças… mas estes acidentes com feridos ou mortos som fruto do nulo investimento na segurança, das jornadas laborais infinitas e da nula formaçom das trabalhadoras e trabalhadores… falemos entom de terrorismo patronal.

P. Quais som as condiçons no teu posto de trabalho?

GB. A dia de hoje ainda está estendida a crença de que se pôs um arnês és “pouco homem” ou “perdes tempo”. Na minha empresa as inspecçons de trabalho estavam em conhecimento da construtora dias antes. Nós sabiamos que se achegava umha inspecçom quando nos punham a tapar buracos e “arrumar” a obra, e dias depois lá estava o inspector. A empresa nom proporcionava as equipas de segurança pessoal polo que umhas botas e umha funda usada era o mais a que se podia aspirar.

P. O número de mulheres empregadas na construçom evidencia um claro machismo do sector…

GB. Nos anos que tenho estado na construçom nunca tivem umha companheira de trabalho, mas sim conheço casos de mulheres que solicitaram trabalho à minha última empresa. Chefes, gerentes e os próprios trabalhadores brincavam com o tema… que se nom teria suficiente força, que se influiria negativamente na produtividade do resto…e burradas do género. Os sindicatos tenhem muito que furar e a formaçom é fundamental para afrontar o problema mas também umha política de discriminaçom positiva que obrigue ao patronato a contratar mulheres.

Ver também a campanha: Tempo de crise, tempo de luita