BRIGA, organiza�om juvenil da esquerda independentista

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Actualizada em
14/01/14
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Perguntamos a Ana Barradas sobre a juventude portuguesa

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Abril 2011

Achegando-nos do 1 de Maio, e como antecipo da agitaom que os nossos Grupos de Base estm a realizar polo Pas adiante, oferecemos-vos esta entrevista mantida com a amiga da esquerda independentista galega, a militante de Poltica Operria Ana Barradas.

Ela, com o galho da sua participaom nas XV Jornadas Independentistas Galegas como conferenciante, soubo responder s perguntas que da juventude rebelde galega nos formulamos respeito da h umhas semanas repentina apariom do movimento da publicamente denominado "Gerao Rasca" portuguesa.

Recomendamos-vos umha pausada leitura da entrevista, da qual esperamos que gostedes.

BRIGA: QUE FACTORES OBJECTIVOS E SUBJECTIVOS INTERVENHEM NA APARIOM DO FENMENO DA GERAO RASCA?

Ana Barradas: Uma parte mais consciente e activa destes jovens que se sentem " rasca" constituda por pessoas com algum nvel escolar que viram goradas as suas expectativas de ascenso social e de ter um emprego e uma vida estveis como esperavam, merc dos seus diplomas e estudos.

Contudo, a sua situao precria e sem futuro comum a muitos outros sectores (desempregados, desempregados de longa durao, reformados, idosos, contratados a prazo, temporrios, salrios-mnimos, enfim, todo um mundo de pessoas que j viviam com dificuldade e agora, com a crise, compreendem que vo viver ainda pior). Toda esta gente foi sensvel ao discurso dos jovens rasca e deu-se essa identificao com os objectivos da manifestao que a transformou num enorme movimento interclassista.

FOI REALMENTE TODO FRUTO DUMHA "CONSPIRAOM" NAS REDES SOCIAIS, OU EXISTEM FORAS ORGANIZADAS ATRS DESTAS RECENTES MANIFESTAONS?

As redes sociais foram importantes para propagar a mensagem, sem dvida. Mas o essencial foi que a ideia por trs da manifestaom era muito meditica e os jovens souberam socorrer-se dos seus apoios nos mdia e usaram-nos bem, sobretudo a televiso.

E houve um fenmeno igualmente meditico que muito os ajudou: o facto de Os Homens da Luta, um duo de actores cmicos que usam uma imagem de revolucionrios dos anos 70, terem ganho, por votao directa do pblico, o Festival da Cano com uma "cano de luta" e os Deolinda terem postos a circular "Burra eu no sou", que vocs ouviram a na Galiza, que est no youtube e que retrata a situao da gerao rasca.

Todos estes factores misturados, mas sobretudo a actualidade e justeza da ideia poltica foram decisivos para um sucesso to inesperado. Uma palavra de ordem lanada no momento correcto que v de encontro ao sentimento da massa tem um poder fantstico.

Os partidos, que tm uma linguagem bafienta e desactualizada, foram completamente ultrapassados pelo acontecimento, que at tentaram desvalorizar por no ser da sua iniciativa.

ACHAS QUE SER UMHA BORBULHA PASSAGEIRA OU PENSAS QUE EXISTEM INDCIOS QUE SINALAM NA DIRECOM DA CONTINUIDADE DOS PROTESTOS?

Este grupo de precrios que se ps cabea da manifestaom lanou depois o Movimento 12 de Maro (data da manifestaom),que se define como "colectivo informal", isto , no partidrio e no hierarquizado, "voz activa na promoo e defesa da democracia em todas as reas da vida", o que como programa muito ambguo. Vamos a ver o que sai disto, cedo para vaticinar.

DUMHA PTICA MARXISTA, QUE FALTA E QUE SOBRA NESTE MOVIMENTO DE MASSAS PARA AVANAR MAIS UM PASSO FACE A CONSECUOM DUM MOVIMENTO JUVENIL CAPAZ DE ATEMORIZAR O CAPITAL?

Este movimento no sai do quadro institucional e reclama nada mais do que um simples direito democrtico, o direito ao trabalho, isto , o direito a ser explorado. No entanto, tem uma carga emocional muito grande e potencialidades muito positivas que, aproveitadas num sentido mais radical, podem fazer toda a diferena.

Se porventura um ncleo considervel de todos os deserdados deste pas decidissem deixar a sua marca no movimento e fazer ouvir a sua voz, influenciando o rumo da aco, claro que os poderes institudos j olhariam para eles de outra maneira menos tolerante e veriam que tinham ali problemas vista.

PORQUE GERAO RASCA EM PORTUGAL SIM, E NOM NA GALIZA?

Provavelmente no existe ainda um movimento assim na Galiza porque as condies de vida dos jovens galegos no sero to duras como so as destes jovens, muitos deles h longos anos sem futuro e sem nenhuma espcie de proteco social.

No entanto, numa Europa cada vez mais inimiga dos explorados, no tenho dvida de que um pouco por toda a parte surgiro ondas de indignao e protesto, sobretudo da parte dos sectores juvenis, que se sentem castigados mais do que os outros e privados daquilo a que julgavam ter direito e lhes negado com toda a crueldade pela Europa neoliberal dos grandes monoplios, do capitalismo decadente e incapaz de resolver a sua crise e que por isso a descarrega sobre os ombros dos mais vulnerveis.